Faça aqui uma busca do que você quer

sábado, 24 de novembro de 2012

Como se tornar uma Nova Criatura.


COMO SE TORNAR UMA NOVA CRIATURA

 

01. Para começar esta reflexão, deixe-me falar um pouquinho de Paulo.

a.    Paulo foi um apóstolo de nosso Senhor Jesus Cristo, comissionado pelo mesmo para ser um pregador do evangelho a todos, mas especialmente aos gentios, isto é, àqueles que não eram judeus. Você pode conferir essa informação em Atos 9.1-16.

b.    Paulo cumpriu sua missão e entrou para a história como um dos maiores, ou o maior dos missionários e plantadores de igrejas da história do cristianismo. Em poucos anos ele plantou igrejas em quatro províncias do império romano: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia, apesar das muitas perseguições.

c.    Segundo Augusto Nicodemus Lopes, em um artigo onde ele fala sobre Paulo com um plantador de igrejas, uma das razões do sucesso de Paulo foi a combinação de ardor missionário com uma correta teologia, um correto ensinamento. Paulo preocupava-se em ensinar corretamente a doutrina de Cristo, e combatia os falsos ensinamentos.

d.    Às igrejas que fundou ele escreveu cartas, muitas delas com o intuito de corrigir alguns erros que surgiram com o tempo. Um exemplo é a carta escrita aos Gálatas. Basicamente, esta carta foi escrita para responder corretamente à questão: Como pode o homem, que é pecaminoso por natureza, chegar a Deus, que é Santo por natureza? E a resposta correta, e única, é: aceitar a salvação que a graça de Deus coloca à nossa disposição através da morte e ressurreição de Cristo. Foi isso que Paulo quis deixar claro para aqueles homens e mulheres! Só existe uma maneira de se chegar a Deus: aceitar a salvação que Ele mesmo, Deus, pela graça, coloca à nossa disposição através de morte e ressurreição de Cristo.

02. Tudo o que estarei falando nessa noite se resume nessa verdade fundamental: Você só pode chegar a Deus através do meio que o próprio Deus providenciou: Jesus, crucificado e ressuscitado.

03. Agora vejamos um texto dentro desta carta aos Gálatas. Alguns dos últimos versos da mesma, os versos 11-15 do capítulo 6:

 

“ 11  Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão.  12  Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. 13  Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne. 14  Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo. 15  Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura.” (Versão RC)

 

04. Repare bem o que diz o verso 15: “... em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura...”

05. A circuncisão era um sinal externo de que a pessoa pertencia ao povo de Deus, o povo judeu. Mas, diz-lhes o apóstolo, o sinal externo nada é, e o que importa é ser uma nova criatura, isto é, é ser totalmente transformado segundo a imagem de Cristo.

06. O mesmo Paulo, escrevendo aos Romanos diz que àqueles que Deus de antemão conheceu que viriam a crer em Cristo, os predestinou para serem conformados à imagem de seu Filho (8.29).

07. Pensando dessa forma chegamos à conclusão, amados, que por mais importante que uma coisa seja, a mesma, em última instância, não tem nenhum valor diante de Deus se não houver essa transformação.

a.    O Batismo, por exemplo, é uma ordenança de Jesus e, como tal, é de grande importância para aqueles que querem ser obedientes a Cristo. Entretanto, ele nada vale, não passa de um banho rápido e desnecessário se o indivíduo que por ele passar não tiver realmente se convertido a Cristo.

b.    Quando vamos ao P. S. de um hospital público vemos pessoas doentes sendo atendidas de forma muitas vezes precária. E quando vamos ao P. S. de um hospital particular, a diferença é gritante, mas, em última instância, percebemos que todos ficamos igualmente doentes e que todos morremos igualmente. Nada que dure mais que algumas décadas está reservado para nós nesta terra. Então, em uma análise última, mais profunda, apesar de que é uma responsabilidade social de todo cidadão ajudar no combate à pobreza, enfermidades e outras coisas mais, a riqueza nada é, e a pobreza também nada é, a saúde nada é e a falta dela também nada é quando comparadas com a necessidade maior que temos, que é a de nos tornarmos uma nova criatura.

c.    Veja Lucas 12.13-21 – Jesus mostra que a riqueza do homem não consiste da abundância dos bens que ele possui.

08. Diante disso, chegamos à questão: Como se tornar uma nova criatura?

09. Analisemos alguns trechos da Palavra de Deus.

 

I. Primeiro façamos uma análise a partir de João 3.1-3. O que podemos aprender com esse trecho da Bíblia? Podemos aprender que:

 

O se tornar uma nova criatura não é fruto de boas qualidades que o homem possua ou que possa adquirir.

 

01. Nicodemos tinha uma posição social e religiosa privilegiada

a.    Nicodemos era um homem privilegiado até no nome. Seu nome é composto de duas palavras gregas, a saber: Nikos = Vitória e Deemos = Povo, e significa “Vitória do Povo” ou “Vitória Sobre o Povo”.

b.    Quanto à sua posição social, o texto diz que ele era um dos principais entre os judeus. A palavra que foi usada no grego é árchoon, e significa que o indivíduo é investido de poder e dignidade. Presume-se que Nicodemos seria membro do Sinédrio, o que conferiria a ele uma alta posição social, visto que o Sinédrio era o supremo tribunal da nação judaica, com jurisdição sobre questões civis e religiosas, no âmbito nacional. Era composto de setenta membros eleitos dentre os legítimos descendentes de famílias israelitas.

c.    Quanto à sua posição religiosa, ele era fariseu, como deixa claro o texto inicial. O v. 10 diz que ele era mestre em religião.

d.    Quanto ao farisaísmo, era um dos principais grupos religiosos de Israel.

 

02. Nicodemos nutria uma honrosa simpatia por Jesus

a.    Pelo menos três fatos encontramos no evangelho de João que demonstram essa simpatia:

                                  i.    Nicodemos foi procurar a Jesus, ainda que de noite, reconhecendo ser ele um mestre vindo de Deus (3.2);

                                ii.    Quando quiseram prender Jesus, Nicodemos o defendeu (7.50-51);

                               iii.    Levou aromas para o corpo de Jesus após a sua morte (19.39-40)

03. Não obstante a tudo isso, e talvez mais, Jesus lhe disse que ele não poderia ver o reino de Deus se não nascesse de novo (3.3). Isso quer dizer que, apesar de todas as suas qualidades e posições, ele ainda não era uma nova criatura; tudo aquilo não fez dele uma nova criatura.

 

II. Façamos agora, em segundo lugar, uma análise a partir de Efésios 2.19, mas analisando também outros versos deste mesmo capítulo. Nesse capítulo podemos ver...

 

... como aqueles efésios se tornaram membros da família de Deus, que é outra maneira de expressar o fato de alguém ter se tornado uma nova criatura.

 

01. O versículo 19 diz: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos e da família de Deus”(RC)

02. Há algum tempo atrás havia uma música cuja letra, se me lembro bem, em uma parte dizia: “Precisas fazer parte da família de Deus”, e em outra: “Venha fazer parte da família de Deus”.

03. O maior privilégio, a maior bênção que uma pessoa pode receber é a bênção de se tornar membro da família de Deus. E a razão é simples e, para aqueles que conhecem a mensagem do evangelho, óbvia: Aquele que se torna membro da família de Deus se torna herdeiro de bênçãos inimagináveis, dentre elas a bênção de poder estar no céu na eternidade.

04. Paulo, no versículo acima citado, diz aos cidadãos da cidade de Éfeso que haviam se rendido a Jesus em sua época, que eles haviam recebido essa bênção. Antes eles, em sua relação para com a família de Deus, eram:

a.    Estrangeiros – isto é, estranhos, pessoas que não participam dos mesmos pensamentos, das mesmas esperanças, das mesmas promessas da comunidade.

b.    Forasteiros – isto é, pessoas que não têm cidadania nesta comunidade; pessoas para as quais esta comunidade não se constitui em seu lugar fixo de habitação.

05. Mas eles haviam se tornado:

a.    Concidadãos dos santos – isto é, cidadãos em pé de igualdade com todos os demais que já faziam, fazem e virão a fazer parte desta comunidade.

b.    Da família de Deus – isto é, filhos de Deus e irmãos uns dos outros.

06. Como isso aconteceu com eles? Alguns versículos anteriores nos revelam. Vamos ver?

a.    Em primeiro lugar, vejamos os versículos 4-7:

 

“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.” (RC)

 

Esses versículos nos mostram que o tornar-se membro da família de Deus, e, portanto, o tornar-se uma nova criatura, é obra da misericórdia e do amor de Deus.

 

b.    Em segundo lugar, vejamos os versículos 8 e 9:

 

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (RC)

 

Esses versículos nos mostram que o tornar-se membro da família de Deus, e, portanto, o tornar-se uma nova criatura, é fruto da manifestação da graça de Deus, mediante a fé.

 

07. O que os efésios alcançaram não foi por suas obras, mesmo porque por elas não se é possível alcançar. Foi por:

a.    Graça – isto é, o livre favor divino que não é merecido por nós. A salvação não é algo que você conquista. É algo que só pode ser recebido como favor imerecido.

b.    Mediante a fé – O favor divino só pode ser recebido (mas nunca merecido) mediante a fé. Não é a fé uma nova forma de mérito, mas é o instrumento que leva o homem a receber a salvação oferecida por Deus em Jesus. Em João 1.12 lemos: “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome”.  (João 1:12 RC)

 

08. O tornar-se uma nova criatura é, então, obra da misericórdia e do amor de Deus, fruto da manifestação da graça de Deus, mediante a fé.

 

III. Vejamos agora Lucas 13.23-24, João 10.7-10 e João 14.1-6. O que vemos nesses textos? Vemos que...

 

... quem quiser se tornar uma nova criatura tem que entrar por uma determinada porta e trilhar um determinado caminho.

 

01. E Jesus mesmo é a Porta e o Caminho

a.  Jesus é a porta e o caminho para Deus...

b.  Portanto, Jesus é a porta o caminho para os lugares celestiais...

c.   Jesus é a porta e o caminho para a transformação espiritual.

 

IV. Vejamos, por último, agora 2 Coríntios 5.17. Esse texto nos mostra que...

 

...nova criatura é aquele que está em Cristo.

 

01. Imaginemos uma situação: Um conhecido liga para sua casa e pergunta por você. Uma pessoa de sua família responde dizendo que você está em “Curitiba”. O conhecido então pergunta sobre quando você irá voltar, e ouve a resposta: - Ele(a) não volta mais. Mudou-se para lá. Você está em Curitiba de mudança. Você agora é cidadão de Curitiba, pertence àquela cidade, tem que tirar do vidro de seu carro a faixa que dizia “Sou de Muqui”.

02. É esse o significado de estar em Cristo Jesus. Significa que você mudou de endereço, você mudou-se de si mesmo para Jesus, você agora não é mais seu, você é de Cristo.

03. Trata-se de uma união mística, podemos assim dizer, que começou quando e em razão de você haver se arrependido de seus pecados e recebido a Cristo, pela fé, como seu Salvador único e único Senhor.

 

Concluindo

 

01. Meus amados no Senhor, quantas coisas há que julgamos importante nesta vida!

02. Não as estou menosprezando.

03. Elas existem, e são importantes de fato!

04. Entretanto, eu e você não podemos nos esquecer de que, apesar de haver coisas importantes, coisas que nos são caríssimas, coisas pelas quais lutamos com toda garra, nada, absolutamente nada neste mundo tem importância maior do que se tornar uma nova criatura.

05. Creio que Jesus te trouxe aqui nesta noite para lhe transmitir esse recado.

06. Por isso, vou repetir, encerrando a minha pregação: nada, absolutamente nada neste mundo tem importância maior do que se tornar uma nova criatura. E isso é possível, mas o é apenas pela graça de Deus em Jesus...

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

domingo, 11 de novembro de 2012

Um povo relevante


O POVO CRENTE: UM POVO RELEVANTE

 

01. Oséias, quando lemos seu livro percebemos, foi um profeta usado por Deus para anunciar juízo ao povo.

02. É certo que ao fim ele anuncia o perdão mediante arrependimento, mas as mensagens de juízo são predominantes em seu ministério, e conseqüentemente, no livro que escreveu.

03. Mas o que aconteceu com povo para que Deus, através do profeta Oséias, lhes enviasse todas aquelas mensagens de juízo?

04. Tenho uma anotação de seis acontecimentos que alguém apontou como sendo causas claramente perceptíveis quando lemos o livro de Oséias. Infelizmente não anotei e não me recordo mais de quem fez tal apontamento (se alguém souber me informe para dar os devidos créditos); mas vamos lá:

a.    Faltou verdade – “OUVI a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel, porque o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra, porque não há verdade...” (Oséias 4:1 DO)

                                  i.    Verdade (‘emeth) = fidelidade, credibilidade, estabilidade, constância.

                                ii.    Eles não eram verdadeiros porque a verdade (de Deus) não dominava os seus corações.

                               iii.    A palavra traduzida por verdade em Oséias é uma forma contrastada de uma outra palavra que tem o sentido de alguém em quem a gente pode confiar, pode se apoiar, porque é fiel. Faltou a eles essa qualidade.

b.    Faltou benignidade – “OUVI a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel, porque o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra, porque não há verdade, nem benignidade...” (Oséias 4:1 DO)

                                  i.    Benignidade é a qualidade que leva à realização de feitos bondosos – é o amor em ação. Faltou a eles essa qualidade.

c.    Faltou conhecimento de Deus – “OUVI a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel, porque o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra, porque não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus na terra.” (Oséias 4:1 DO)

                                  i.    Eles, mesmo sendo o povo de Deus, não conheciam a Deus.

d.    Havia ajuntamento muito maior quando outras coisas estavam envolvidas do que “simplesmente” em torno do Senhor – “E não clamaram a mim com seu coração, mas davam uivos nas suas camas; para o trigo e para o vinho se ajuntam, mas contra mim se rebelam.” (Oséias 7:14 DO)

e.    Faltou dar valor à Palavra de Deus – “Escrevi para eles as grandezas da minha lei; mas isso é para ele como cousa estranha.” (Oséias 8:12 DO)

f.     Havia uma recusa por servir verdadeiramente a Deus – “Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; bem que clamam ao Altíssimo, nenhum deles o exalta.” (Oséias 11:7 DO)

05. A conseqüência imediata de tudo isso foi que eles ficaram entre as nações como algo sem valor: “Israel foi devorado: agora está entre as nações como um vaso em que ninguém tem prazer.” (Oséias 8:8 DO).

06. Eles se tornaram irrelevantes.

07. Amados, em tempos em que pregamos a necessidade de sermos relevantes em nossa sociedade, perguntemo-nos:

a.    Qual a relevância de nossa igreja para este local?

b.    Que diferença faria se ela fechasse hoje?

                                  i.    Nenhuma?

                                ii.    Pequena?

                               iii.    Grande?.

08. E se chegarmos à conclusão de que somos pouco relevantes, perguntemo-nos também:

a.    Qual(is) a(s) razão(ões)?

b.    Seriam as mesmas do tempo de Oséias?

09. É tempo de sermos relevantes! Para isso:

a.    é preciso que nos tornemos crentes mais verdadeiros do que já somos;

b.    é preciso que sejamos crentes mais benignos do que já somos;

c.    é preciso que sejamos crentes que estejam empenhados em uma busca constante por conhecer a Deus mais do que já conhecemos;

d.    é preciso que sejamos crentes que se preocupam, mais do que já nos preocupamos, em nos ajuntarmos por causa e em torno do Senhor mais do que por causa em torno de qualquer outra coisa;

e.    é preciso que sejamos crentes que dêem valor a Palavra de Deus, mais, muito mais do que já estamos dando;

f.     e é preciso que sejamos crentes que estejam verdadeiramente dispostos a servir ao Senhor.

10. Assim, faremos grandes coisas para o Senhor, seremos bênção para a sociedade em que vivemos e seremos naturalmente relevantes.

11. Pensemos nisso!

     

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Estudos no Sermão do Monte / parte 10 - Regozijo na Tribulação


REGOZIJO NA TRIBULAÇÃO.

 

Extraído/adaptado de Estudos no Sermão do Monte – Martyn Lloyde-Jones – Editora Fiel

 

 

“bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” (Mateus 5:11-12 RC)

 

01. No estudo passado vimos sobre o sofrer por causa da justiça. Vimos que aquele que por causa da justiça divina, aquele que, pelo fato de ser convertido a Deus por intermédio de Jesus, pelo fato de ser um fidelíssimo servo do Senhor Jesus, parecido com Jesus, é, de alguma forma, em maior ou menor grau, perseguido, não é um infeliz, é um bem-aventurado.

02. Hoje veremos sobre o regozijo que o servo de Deus pode e deve ter quando sofre alguma perseguição ou tribulação dessa natureza.

03. Os versos 11 e 12 de Mateus 5 não se constituem em uma bem aventurança por si mesmos. Antes, são uma extensão da bem aventurança que encontramos no verso 10.

04. Conforme já dissemos antes, todas as bem-aventuranças devem ser entendidas como uma descrição do perfil do homem que é crente. Elas apresentam uma fotografia constituída de diversas partes, de tal maneira que cada uma delas expõe alguma parte do caráter cristão.

05. Nessa extensão da última bem-aventurança, Jesus mais uma vez lança luz sobre o caráter do crente, ao falar sobre sua reação diante das perseguições.

06. Por essas palavras de Jesus podemos aprender/rever...

 

TRÊS PRINCÍPIOS A RESPEITO DO CRENTE.

 

O primeiro desses princípios, que já vimos antes, é que o crente é diferente de todos quantos não são crentes.

 

07. Devo observar antes de tudo que quando falo de crente, falo no verdadeiro sentido da palavra.

08. O Evangelho de Jesus Cristo estabelece uma bem definida divisão e distinção entre quem é crente e quem é incrédulo. O crente não é alguém parecido com todo mundo, possuindo apenas algumas leves modificações. Antes, é alguém diferente na essência; ele possui uma natureza diferente (espiritual) e é uma pessoa diferente.

09. O fato de ele ficar alegre ao invés de triste quando alguém o persegue pelo fato de ele ser parecido com Jesus, sem se importar se essa perseguição é leve, um deboche apenas, ou pesada como muitas que acontecem mundo afora ocasionando às vezes até a morte... Esse fato por si só já demonstra essa diferença.

10. Veja esse episódio na vida dos apóstolos (Paulo ainda não era um deles), quando foram perseguidos por pregarem o evangelho:

 

E, chamando os apóstolos e tendo-os açoitado, mandaram que não falassem no nome de Jesus e os deixaram ir. Retiraram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus. E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo. (Atos 5:40-42 RC)

 

11. Agora me diga se não eram diferentes esses homens?

12. Eles eram, e nós devemos ser, e somos se somos verdadeiros crentes.

13. Semelhanças há, é verdade, mas são semelhanças que existem entre pessoas diferentes e não diferenças entre pessoas semelhantes, porque a diferença está na essência, na natureza – a do crente é espiritual e a do incrédulo ainda é carnal.

14. Obviamente que isso não nos dá o direito, como vimos no estudo anterior, de nos comportarmos diante das pessoas com atitude de superioridade. Aliás, essa atitude de superioridade não faz parte da nova natureza.

 

O segundo princípio é que a vida do crente é controlada e dominada por Jesus Cristo, pela lealdade a Cristo e pela preocupação em fazer tudo por causa de Cristo.

 

15.  Não é o que o texto diz?

16. O texto fala sobre ser injuriado e perseguido por causa de quem? Não é por causa de Jesus? Não é pelo fato de se estar vivendo para a causa de Cristo?

17. O objetivo inteiro do crente deve ser viver para Cristo e não para si mesmo.

18. O crente, por ser uma nova criatura, tendo recebido nova vida da parte de Cristo, e percebendo que deve tudo a Cristo e à Sua obra perfeita, particularmente a Sua obra na cruz, diz consigo mesmo (ou deveria dizer): “não pertenço mais a mim mesmo; fui comprado por um bom preço”.

19. Portanto, seu desejo é viver toda a sua vida para a glória dAquele que assim morreu em seu favor, que o redimiu e que retornou à vida.

20. Por isso é que o seu grande desejo é apresentar-se de corpo, alma e espírito, total e inteiramente a Cristo.

21. O grande motivo controlador da vida do crente é: “por causa de Cristo”.

22. Se somos crentes legítimos, então nosso desejo deve ser, por mais que falhemos na prática diária, viver para Cristo, glorificando o seu nome e a sua pessoa.

 

E o terceiro princípio é que a vida do crente deveria ser dirigida por pensamentos celestiais e sobre o mundo vindouro.

 

“Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós”

 

23. Se alegrem pensando no que está reservado para vocês no céu!

24. Este é um ensinamento vital que encontramos não só aqui como na Bíblia como um todo.

25. Consideremos, por exemplo, Hebreus 11. Consideremos aquelas pessoas que são alistadas ali, aqueles “heróis da fé”. Qual era o segredo deles?

a.    O segredo deles é revelado naquilo quem diziam (não necessariamente com palavras): “Não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura cidade...” – Trata-se da cidade, segundo vemos em Hebreus, da qual Deus é o Arquiteto e Edificador.

b.    Esse era o segredo deles! Eles olhavam “mais adiante”, para aquilo que DEUS tinha preparado para eles.

26. Essa atitude deve ser parte integrante da diferença do crente.

27. O incrédulo não gosta de pensar sobre o mundo vindouro conforme apresentado na Bíblia. Ele foge disso!

28. Já o verdadeiro crente não se importa e tem prazer e se sente confortado ao pensar sobre isso porque sabe que Deus tem algo grandioso reservado para ele.

 

29. Então, nunca se esqueça: se você é crente verdadeiro,

a.    Você alguém diferente de quem é incrédulo. Ainda que possua semelhanças, na essência você é diferente.

b.    Sua vida deve ser controlada e dominada por Jesus Cristo, pela lealdade a Cristo e pela preocupação em fazer tudo por causa de Cristo.

c.    E sua vida deve ser controlada por pensamentos celestiais e sobre o mundo vindouro.

30. Bem, tendo visto estes princípios, vejamos agora,

 

COMO ESSES PRINCÍPIOS SÃO ILUSTRADOS EM TERMOS DO MODO COMO O CRENTE ENFRENTA AS PERSEGUIÇÕES.

 

Primeiro, pensemos a respeito de como o crente deve enfrentar a perseguição, quais devem ser algumas de suas atitudes.

 

31. Dentre as muitas atitudes, cito três:

a.    O crente não deve retaliar – Retaliar significa agir a uma agressão como uma ação semelhante. O crente não deve fazer isso. O crente deve, ao contrário, procurar conter os seus impulsos. Retaliar é agir de forma semelhante ao homem natural. / É dificílimo não desejarmos revidar, e conter os próprios impulsos é mais difícil para alguns dentre nós do que para outros. Mas Jesus não revidou e nós, que somos seus seguidores, devemos ser semelhantes a ele. Não é assim que diz a Palavra? Veja:

 

“Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas, o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano, o qual, quando o injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente, levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas, agora, tendes voltado ao Pastor e Bispo da vossa alma.” (1 Pedro 2:21-25 RC)

 

b.    O crente não deve ficar ressentido (melindrado, magoado, ofendido) – E como isso é difícil! Isso é deveras difícil! É algo que parece estar “entranhado” em nossa natureza carnal. Somos susceptíveis a nos ressentirmos até com coisas tão simples como uma palavra impensada, uma brincadeira, e até mesmo com algo verdadeiro que foi dito às vezes até em um sermão pregado pelo pastor e que tocou em nossa ferida (isso já aconteceu comigo – uma irmã se ofendeu...). O que dirá então um ataque direto a nós por causa de nossa fé! Mas ao ressentimento não deve ser permitido aninhar-se em nosso coração.

c.    O crente não deve sentir-se deprimido em face da perseguição – Talvez você não fique ressentido com ninguém, mas fique deprimido, infeliz por causa da perseguição. Mas essa não é a atitude proposta por Jesus; a atitude proposta por Jesus é “regozijai-vos e exultai”.

32. Diante disso, meus irmãos, somos mais uma vez obrigados a ressaltar a diferença entre o homem que nasceu de novo mediante o poder regenerador do sangue de Jesus e aquele que ainda não nasceu de novo. Não retaliar, não ficar ressentido e não ficar deprimido diante de uma situação de perseguição, e ainda ter que “regozijar e exultar”? Isso é coisa de gente doida!

33. É verdade! Isso é coisa de gente “maluca”.

34. Mas é a esses “malucos” que pertence o reino dos céus.

35. Você já é um desses “malucos”? Age de verdade como um, ou tá meio que vivendo como um “discípulo oculto”?

36. Tendo pensado nisso, pensemos agora em:

 

Por qual motivo o crente deve regozijar-se assim, e como é possível ele alegrar-se debaixo da aflição?

 

37. A essa altura talvez você esteja com alguns questionamentos em sua mente.

38. Talvez em sua mente haja agora um grande ponto de interrogação acerca dessa questão de alegrar-se debaixo da aflição por causa de Cristo.

39. E talvez eu consiga lhe ajudar dizendo que esse regozijo, essa exultação da qual Jesus fala não é por causa do sofrimento em si.

40. Ora, todos nós sabemos que nenhum tipo de sofrimento por si mesmo é bom.

41. Tomemos por exemplo uma vacina. A dor é ínfima, é uma “coisinha de nada”, mas nem isso nós poderíamos chamar de bom não fosse pelo fato de que está sendo introduzido em nosso organismo algo que ajudará na preservação de nossa saúde.

42. Ao crente não cabe alegrar-se pelo mero fato de estar sendo perseguido. Aquilo que a perseguição demonstra, e não a perseguição em si, é que é a razão da alegria.

43. Seguindo essa linha de raciocínio, vamos a duas considerações:

a.    A perseguição que o crente sofre por amor à causa de Cristo é uma prova de quem e do que ele é.

                                  i.    No texto Jesus o assemelha aos profetas de Deus: “Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós”.

                                ii.    E também, se formos caluniados e perseguidos por causa de Cristo, isso necessariamente significará que as nossas vidas tornaram-se semelhantes à dele e que pertencemos a ele.

b.    A perseguição que o crente sofre por amor à causa de Cristo é uma prova do seu destino certo.

                                  i.    “Exultai-vos e alegrai-vos.... porque é grande o vosso galardão nos céus” – Não foi isso que Jesus disse?

44. Então, meus amados, não se trata da perseguição em si, mas daquilo de que ela se tornou demonstrativo. Trata-se de mais uma comprovação, desta vez pelo mundo, de que estamos indo para os céus e para Deus.

45. Sendo assim, toda a minha perspectiva a respeito daquilo que acontece comigo deveria ser governada por três considerações:

a.    A percepção de quem sou;

b.    A consciência do lugar para onde eu estou indo;

c.    E o meu conhecimento daquilo que me espera quando eu ali chegar.

46. Esse argumento é encontrado em muitos trechos da Escrituras.

47. O Apóstolo Paulo, por exemplo, escrevendo aos Coríntios, diz que

 

... a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não vêem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.” (2 Coríntios 4:17-18 RC)

 

48. E o crente sempre deve viver na expectativa dessas realidades.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

Estudos no Sermão do Monte – Martyn Lloyde-Jones – Editora Fiel