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quarta-feira, 13 de abril de 2016

RELIGIÃO VÃ

RELIGIÃO VÃ

 

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Em Tiago 1.26 lemos que se alguém cuida ser religioso mas não refreia a sua língua, a religião desse é vã.

Uma história ilustrativa nos dá conta de que havia na antiga Grécia uma escola célebre de homens piedosos e refletidos, chamados Pitagorianos. Se alguém quisesse entrar nessa sociedade, devia comprometer-se a guardar silêncio durante três anos. Se cumpria fielmente... os filósofos acolhiam-no no seu grêmio (círculo, sociedade).

Talvez a razão dessa condição resida no fato de que uma das coisas mais difíceis para o homem seja dominar a língua.

F. W. Foester disse certa vez: “Para que serve a bondade de coração se a língua sem freio não lhe obedece? As maiores divisões entre os homens e as maiores desgraças do mundo provém de línguas soltas demais. Por uma palavra injuriosa (ofensiva, humilhante), às vezes sem importância, os homens se matam uns aos outros, e as mais velhas amizades são freqüentemente rompidas por uma tagarelice tola”

É um fato bastante claro que Jesus costumava ensinar e exortar sempre contra o mal. Em Lucas 12.1, por exemplo, encontramo-lo falando aos seus discípulos, exortando-os à cautela quanto ao que ele chamou de “fermento dos fariseus”, símbolo da influência corruptora do mal. No texto em questão, Jesus diz que esse “fermento” é a hipocrisia. Com isso Jesus estava dizendo que os fariseus mascaravam com religiosidade aparente a sua condição corrupta intrínseca.

Tiago parece seguir o mesmo método de ensino de Jesus, procurando “desiludir os que se contentam só com os princípios e cerimônias da religião, esquecendo-se da sua influência sobre o procedimento; e fá-los ver que, nesse caso, a religião se lhes torna vã”.

No versículo inicial podemos identificar alguns aspectos possíveis na vida religiosa de uma pessoa. Vejamos:

 

1) A Pessoa Supõe Ser Religiosa – Tiago não fala sobre uma pessoa que, conscientemente, põe uma máscara religiosa. A pessoa de quem Tiago fala é alguém que realmente se considera religiosa na prática; uma pessoa que até cumpre princípios externos exigidos por sua religião. Segundo o costume atual: vai aos cultos, contribui com o dízimo, abstém-se de algumas coisas que causam dificuldades, como fumo, bebida, jogos de azar, etc. É uma pessoa que está ali não com a intenção de enganar qualquer dos irmãos. Até certo ponto poderíamos dizer tratar-se de uma pessoa sincera.

 

2) Mas Essa Pessoa Não Refreia a Sua Língua – A pessoa a que Tiago se refere tem esse problema. A sua língua é desgovernada; ele não é capaz de refreá-la. Refrear significa dominar com freio; por freio em alguma coisa ou algum animal. Figuradamente é moderar, sujeitar, reprimir, conter. Língua não refreada é, pois, língua desgovernada, língua sem controle. Freio é o aparelho com que se regula o movimento das máquinas... e dos animais. Língua não refreada é veículo sem freio, que ocasiona desastre... a língua não refreada não é outra coisa senão um vulcão em lavas, a espalhar terror e morte por todos os lados; é um barco sem leme, um fogo no bosque, um veneno na boca: incendeia, apunhala, mata, retalha, infama, num caudal de misérias por entre disputas, contendas, maledicências, difamação, mexerico, calúnias, insultos, obscenidades, impropérios e maldições, levando de roldão a dignidade, a honra, o caráter, a reputação, com uma voracidade infernal”. (Veja ainda Tiago 3.3-12)

 

3) A Pessoa Engana a Si Mesma – A pessoa se considera religiosa, mas está sendo vítima de um auto-engano. Nas palavras de Tozer: “Ela comete fraude em dano próprio”.

            Temos vários textos na Bíblia que nos exortam a não nos deixarmos enganar. Efésios 5.6 diz: “Ninguém vos engane com palavras vãs...”. Às vezes somos enganados pelos outros, mas Tiago mostra que às vezes somos nós quem nos enganamos a nós mesmos, por não refrearmos a nossa língua.

 

4) A Pessoa Tem Uma Religião Vã – “Ter religião e não refrear a língua é desvirtuar a religião, é torna-la vã na sua aplicação”.

            Se plantarmos uma grande floresta e depois atearmos fogo nela, terá sido vão o nosso esforço.A religião implica em comunhão. Uma língua desgovernada pode quebrar a comunhão, tornando vã a religião da pessoa. Não tem muito valor a religião da pessoa cuja língua é peçonhenta.

 

Concluindo – A língua não é algo que alguém de fora possa dominar. Só o dono dela poderá fazê-lo, no poder do Espírito Santo. Se a pessoa não se dispõe a isso, seria melhor deixar de ter religião. Religião nenhuma é melhor que religião vã.

 

“... quem quer amar a vida e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano” (1 Pedro 3:10 RC)

 

“... de toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juízo. ... por tuas palavras serás justificado... [ou] condenado” (Mateus 12:36-37 RC)

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Muqui, Abril de 2016

prwalmir@hotmail.com

 

Imagem de Eder Santos em https://i.ytimg.com/vi/M0-JfazSWiM/maxresdefault.jpg

sexta-feira, 8 de abril de 2016

CUIDADO COM O QUE VOCÊ FALA

CUIDADO COM O QUE VOCÊ FALA

 

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem.” (Efésios 4:29 RC)

 

1.    Um irmão muito preocupado com seu temperamento, procurou ajuda com o pastor. - "Pastor, o que devo fazer quando estou dirigindo e fico nervoso, com vontade de xingar os outros motoristas?" O pastor coçou a cabeça e respondeu: - "Antes de mais nada, você deve tirar do carro aquele adesivo "Jesus te Ama"

2.    "Não há espelho que melhor reflita a imagem do homem que suas palavras". (Luiz Vives)

3.    "Conhecemos um pássaro pelo seu canto, e um homem, pelas suas Palavras". (Paulo E. Holdcraft)

4.    "Você pode se lamentar muitas vezes por por ter pronunciado uma palavra indelicada, mas nunca por ter pronunciado uma palavra bondosa" - Bert Estabrook

5.    Uma das exortações que se encontra em abundância na Palavra de Deus é a exortação para que o crente não continue na prática dos antigos costumes.

6.    Das tentações o crente nunca estará, nesta vida, livre, mas ele pode oferecer resistência e vencer às tentações ao invés de ceder às mesmas. Tiago diz que se o crente resiste ao diabo, este foge dele (4:7), e que este crente que suporta com perseverança a provação é bem-aventurado e aprovado por Deus (1:12).

7.    Uma das tentações pela qual o crente é assediado é a tentação de pecar com a língua. Deus deu ao homem a capacidade de falar, e o homem desenvolveu a capacidade de falar o que não deve.

8.    Na Bíblia encontramos várias exortações a respeito do pecar com a língua. Dentre elas:

 

“Porque quem quer amar a vida e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano;” (1 Pedro 3:10 RC)

 

“Se alguém entre vós cuida ser religioso e não refreia a sua língua, antes, engana o seu coração, a religião desse é vã.” (Tiago 1:26 RC)

 

“Assim também a língua é um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno.” (Tiago 3:5-6 RC)

 

“Mas, agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.” (Colossenses 3:8 RC)

 

9.    E também o nosso texto inicial é um exortação. Ele nos diz três coisas:

 

I. Não devemos falar palavras torpes

 

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe...”

 

1.    Torpe = “desonesto; infame; repugnante; nojento; obsceno; indecente; vil”

2.    A palavra grega utilizada é saproz. Essa palavra no original significa: “podre, decadente”, e era usada para indicar peixe, carne ou vida vegetal estragados.

3.    Figuradamente então, indica palavreado mau, corrupto, imoral.

4.    Não se trata apenas de palavras obscenas;

a.    uma fofoca também é um “peixe podre”;

b.    uma mentira também é um “peixe podre”;

c.    uma palavra carregada de ira também é um “peixe podre”;

d.    um palavreado sempre ‘acusativo’ também é um “peixe podre”;

e.    usar a língua para, constantemente, reclamar, também é um “peixe podre”;

f.     palavras precipitadas podem ser um “peixe podre”;

g.    até mesmo algumas palavras certas mas no lugar completamente errado, onde e no momento em que elas não podem transmitir graça e edificação, podem ser um “peixe podre”.

5.    Temos que ser sábios no falar. Digo sábios não no sentido de termos um palavreado difícil, e sim no sentido de sabermos o que falar, e onde e quando falar; também no sentido de saber ouvir para depois falar. Provérbios 18:13 diz que “Quem responde antes de ouvir mostra que é tolo e passa vergonha.” (BLH), e alguém já disse que não foi à toa que Deus nos deu uma boca só, mas dois ouvidos.

 

II. Nossa fala deve ser útil na promoção da edificação

 

“...mas só a que for boa para promover a edificação...”

 

1.    Não só as palavras, mas a vida inteira de um crente deveria visar a edificação e o benefício alheios.

2.    As nossas palavras devem ter o objetivo de ajudar as pessoas e fazê-las crescer ou vencer um obstáculo, e não de desanimá-las.

3.    Essa palavra que edifica pode vir em algum momento em forma de exortação e em outro em forma de consolo e encorajamento. O tempo e o lugar é que vão nos indicar se uma determinada palavra será boa ou ruim, será edificante ou prejudicial.

4.    Um homem chamado Faucett disse que “nossas palavras deveriam ser quais pregos fincados em lugar seguro, palavras que se adaptam ao tempo presente da pessoa com quem falamos no presente”.

5.    Para sermos edificantes em nossas palavras é necessário que desenvolvamos o hábito de pensar. Temos que pensar em

a.    o que queremos dizer,

b.    por que queremos dizer,

c.    com que objetivo queremos dizer.

6.    Eu conheço irmãos que “não levam desaforo pra casa”; mas se eles levassem e pensassem em palavras que exortariam acerca daquele desaforo sofrido, com o objetivo não de “responder à altura”, mas de ajudar o desaforado a enxergar o erro que comete e a consertar-se, e dissessem essas palavras à pessoa no tempo e lugar certo, eles seriam edificantes em suas palavras. Quando isso não acontece, o desaforado e o que sofreu o desaforo mas não o “levou para casa” acabam cometendo o mesmo erro: o de não contribuir para a edificação um do outro.

 

III. Nossa fala deve ser repleta de palavras que ministrem graça

 

“...só a que for boa...  para que dê graça aos que a ouvem.”

 

1.    A própria edificação, comentada acima, é uma graça.

2.    Qualquer palavra que confira algum favor, algum bem espiritual é bem vinda.

3.    Um consolo, uma reprimenda, um encorajamento, uma correção, bem aplicados, com amor e no momento certo, é sempre bem vindo.

4.    Para cada encontro com o nosso próximo deveríamos ter uma palavra transmissora de graça para aplicarmos conforme a ocasião nos permita. Isso é bom e agradável aos olhos do Senhor.

 

Concluindo

 

1.    O nosso palavreado precisa ser rico. Não rico de palavras difíceis e de perfeita concordância verbal, e sim, rico por ser edificante, transmissor de graça e não repugnante e afastador como um peixe podre.

2.    A nossa língua é um fantástico órgão que Deus nos deu, mas pode ser altamente destrutivo se não o colocarmos sob o controle do Espírito de Deus.

3.    Vamos fazer isso diariamente, em nome de Jesus! Amém!

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves