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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Vai bem a tua alma?

 

VAI BEM A TUA ALMA?

 

1.    Ler 3ª João

2.    Nessa carta João nos apresenta a um crente especial: Gaio.

3.    Gaio era "especial", isto é, ele era "fora do comum", "excelente", "notável"... (como todos deveríamos ser – essa excelência e notabilidade deveria ser algo comum entre os servos de Deus)

4.    Veja novamente o verso 2 – João destaca o fato de que "a alma" de Gaio ia bem, e ele desejava que o seu físico fosse tão saudável quanto o era a sua alma e que ele fosse tão próspero em todas as coisas como próspera era a sua alma.

a.    É coisa desejável a prosperidade em tudo quanto a gente faz

b.    e é coisa mais que desejável a saúde física,

c.    mas nada se compara à saúde da alma.

d.    Você concorda?

5.    Vez por outra temos recebido pela mídia notícia de pessoas prósperas no que faziam, com boa saúde física, mas que se suicidaram. Razão? Não há outra senão enfermidade da alma.

6.    Então é muito importante mantermos a saúde de nossa alma.

7.    Mas, pergunto aos irmãos: Como crentes, como servos de Deus, quando é que podemos afirmar que nossa alma está saudável?

8.    O exemplo de Gaio nos fornece algumas "pistas", deixa-nos alguns "rastros" sobre os quais podemos seguir em busca de uma resposta, se não total, pelo menos parcial e satisfatória. Vejamos:

 

I. Uma das evidências de que temos, como servos de Deus, uma alma saudável é a do crescimento no conhecimento da verdade seguido, indispensavelmente, pelo andar nessa mesma verdade.

 

1.    Veja Colossenses 3.16:

a.    A Palavra de Cristo – a Verdade – precisa habitar em nós...

                                  i.    O quanto? R: "abundantemente" (ou ricamente).

1.    O que significa "abundantemente" ou "ricamente"?

b.    E Isso significa crescimento no conhecimento da verdade.

2.    Mas só conhecer e prosseguir em conhecer não basta, é preciso andar na verdade, deixar que nossa vida seja dirigida pela verdade.

a.    Veja Tiago 1.22

b.    Veja Mateus 7.20-27

3.    Praticar (obras) pode não ser requisito, pode não ser (e não é) o Causador, mas é evidência, é o que dá "visibilidade"...

6. Gaio, o homem cuja alma ia bem, era alguém que andava na Verdade – Veja o versículo 3

7. Você está crescendo no conhecimento da verdade e a está colocando em prática em seu viver diário?

 

II. Uma outra evidência de que temos, como servos de Deus, uma alma saudável, é a fidelidade.

 

1.    Fidelidade faz parte de se andar na verdade. Não pode dizer que anda na verdade quem não é fiel.

2.    Já tivemos oportunidade de destacar em uma de nossas reflexões anteriores que uma das definições de fidelidade é “semelhança entre o original e a cópia”, sendo Jesus o “original” e cada um de nós uma “cópia”. Sendo assim, ser fiel é representar bem, refletir bem aquele a quem dizemos servir – o nosso Senhor Jesus Cristo.

3.    Você representa bem a Jesus? Vamos fazer um teste?

a.    Primeiro teste: o teste do amor

                                  i.    Veja Mateus 22. 34-40: “E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar.  E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:  Mestre, qual é o grande mandamento da lei?  E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.  Este é o primeiro e grande mandamento.  E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.  Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (RC)

1.    Amar a Deus com a totalidade de seu ser, de forma absoluta e acima de tudo e de todos; e amar ao próximo como se ele fosse você.

a.    Era assim o amor de Jesus por Deus e pelo próximo?

b.    E é assim o seu amor? Amém? E se você tiver que...

                                ii.    Veja Mateus 5.43-44: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo.  Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (RC)

1.    Era assim o amor de Jesus?

2.    E é assim o seu?

b.    Segundo teste: o teste do perdão

                                  i.    Veja Mateus 18.21-22: “Então, Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?  Jesus lhe disse: Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete.” (RC)

1.    É fácil? Às vezes sim, mas às vezes não, e em algumas circunstâncias sob luta terrível contra a nossa disposição pessoal humana/natural... Nem sempre é um teste fácil...

c.    Terceiro teste: o teste da prioridade

                                  i.    O que lemos em Mateus 6.33?

                                ii.    Leonard Havenhill, no livro "Por que tarda o pleno avivamento?", escrito em 1959, já dizia que "estamos tão envolvidos com a terra que não temos nenhuma utilidade no céu".

1.    Será essa uma realidade hoje?

2.    Será essa uma realidade nossa?

                               iii.    E depois Havenhill considera que "se fôssemos tão eficientes na tarefa de enriquecer a nossa alma quanto o somos na de cuidar de nossos interesses pessoais, constituiríamos uma ameaça para o diabo".

                               iv.    Por outro lado, "se fôssemos ineficientes no cuidado de nossos interesses como o somos nas questões espirituais, estaríamos mendigando".

1.    Será essa uma realidade hoje?

2.    Será essa uma realidade nossa?

d.    Quarto teste: o teste da dedicação

                                  i.    Creio que todos sabemos pelo menos alguma coisa acerca da missão de Jesus quando veio para viver entre nós. Jesus foi dedicado à sua missão? O quanto?...

                                ii.    E a sua missão, qual é?

1.    Veja Romanos 12.1-2 – ali está a sua missão

2.    Veja Hebreus 12.1-2 – ali está a sua missão

3.    Leia 1 Coríntios 10.32 – ali está a sua missão

4.    Leia Colossenses 3 – ali está a sua missão

5.    Leia em Mateus 25 a parábola dos talentos e perceba que faz parte de sua missão trabalhar para o Senhor com os dons e capacitações que lhe foram concedidos.

                               iii.    Como está a sua dedicação?

e.    Quinto teste: o teste da motivação

                                  i.    O que motivava Jesus?

1.    Fama?

2.    Poder?

3.    Sucesso?

4.    Reconhecimento da parte dos homens?

5.    O fato de sempre haver multidões o seguindo?

6.    Nada disso! O que motivava Jesus era o amor, primeiro pelo Pai que o enviara e depois por nós...

                                ii.    O que motiva você a trabalhar na obra de Deus e até mesmo a vir e permanecer na igreja?

1.    Jesus, no sermão da montanha, reprovou aqueles que oravam, jejuavam e davam esmolas "para serem vistos pelos homens"...

2.    O que motiva você?

a.    E se ninguém reconhecer o seu trabalho?

b.    E se as pessoas criticarem seus erros e nunca elogiarem seus acertos?

c.    E se, ainda que temporariamente, faltar na igreja o tipo de música que você gosta e até mesmo faltarem os sons maviosos de instrumentos bem executados?

f.     Sexto teste: o teste da obediência

                                  i.    Jesus foi obediente?

                                ii.    E você?...

4.    Vários outros "testes" poderiam ser feitos, mas estes coloco apenas para nos fazer pensar se representamos bem a Jesus, se há fidelidade em nós.

5.    Gaio era alguém que procedia fielmente, à semelhança de Jesus, em tudo o que fazia – Veja o versículo 5.

6.    Como você tem procedido para com seus familiares, amigos, vizinhos, conhecidos e desconhecidos, negócios, enfim, como você tem procurado proceder com respeito a tudo e a todos que fazem parte do contexto de sua vida?

 

III. E, para encerrarmos por hoje, mais uma evidência de uma alma saudável: uma preocupação tal para com os perdidos que nos leva à prática da evangelização constante – a evangelização torna-se parte de nosso estilo de vida – enquanto vou pela vida afora evangelizo, testemunho...

 

1.    Isso também faz parte do andar na verdade e faz parte da fidelidade.

2.    O fato de Gaio andar na verdade e agir com fidelidade em tudo fazia dele uma boa testemunha de Jesus.

3.    Mas Gaio ia além: numa igreja onde havia um tal Diótrefes que, ao que tudo indica havia tomado, ainda que indevidamente o controle da igreja e que, por querer ter e manter a primazia, não recebia os irmãos em Cristo (certamente missionários – os missionários da época) e ainda impedia outros de os receberem, ele, Gaio, os recebia e procedia fielmente para com eles, tornando-se assim um “cooperador da verdade”. Isso mostra que Gaio tinha um “espírito missionário”.

4.    O Novo Testamento com um todo nos incentiva, exorta, comissiona a nos movermos em direção à evangelização. Evangelizar, testemunhar, procurar apresentar de alguma forma Jesus às pessoas, especialmente refletindo-o em nossa conduta diária, é uma das evidências da saúde de uma alma crente.

5.    Como está você no que respeita a esse tópico?...

 

Conclusão

 

1.    Vai bem a tua alma?

2.    No teste da prática da verdade, do proceder com fidelidade em tudo (semelhante a Jesus) e da evangelização como estilo de vida você se acha aprovado ou reprovado?

3.    Se no momento você se acha reprovado, não se desespere! Submeta a sua alma ao Médico dos médicos, ouça-O, cumpra o que Ele lhe prescrever, e sua alma ficará saudável, assim como foi a de Gaio.

4.    Encerro com o mesmo conselho de João a Gaio no verso 11: “Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus”

 

è Mau = Que não é de boa qualidade; que exprime maldade; nocivo, prejudicial; que causa incômodo, moléstia ou prejuízo; contrário à justiça, à razão, à virtude, ao dever; inconveniente, inoportuno; desagradável, desfavorável.

è Mal = Tudo o que se opõe ao bem, tudo o que prejudica, fere ou incomoda, tudo o que se desvia do que é honesto e moral.

 

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Muqui – Setembro de 2013

 

Fontes de consulta:

 

·         Comentário Bíblico Broadman;

·         Comentário Bíblico Popular

·         Dicionário Michaelis Online;

·         O N. T. Int. V. por V. – R. N. Champlin;

·         Por Que Tarda o Pelno Avivamento? – Leonard Havenhill

·         Sermão de C. D. Cole – A Prosperidade da Alma

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Estudos no Sermão do Monte / parte 34 - Entrai pela porta estreita

 

ENTRAI PELA PORTA ESTREITA

 

Estudo 34 da série "Estudos no Sermão do Monte

 

 

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;  E porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” (Mateus 7:13-14 RC)

 

1.    Chegamos ao ponto em que Jesus caminha para a conclusão de seu sermão.

2.    O objetivo de Jesus neste sermão, conforme temos podido ver nos estudos que já fizemos, foi, primeiro, levar aqueles que são seus a perceber qual é a sua natureza, e, segundo, mostrar-lhes como devem manifestar essa natureza em seu viver diário.

3.    Jesus veio viver neste mundo, como homem, para, do meio do mundo formar para si um povo especial, um povo para fazer parte não mais do "reino do mundo", ainda que estando nele, mas do "reino de Deus", do "reino da luz", do "reino dos céus". E, neste "sermão do monte" Jesus está dizendo: "Neste reino é assim que se comporta". Quem dele fizer parte:

a.    Será humilde de espírito;

b.    Será alguém que lamenta pelo pecado seu pessoal e pelo pecado em geral;

c.    Será dotado de espírito de mansidão;

d.    Será alguém com fome e sede de justiça;

e.    Será misericordioso;

f.     Será limpo de coração;

g.    Será pacificador;

h.    Deverá ser sal da terra e luz do mundo;

i.      Deverá ser portador de uma justiça superior à dos escribas e fariseus;

j.      Deverá fazer as coisa próprias do reino não para sua glória ou promoção pessoal, mas para a glória de Deus;

k.    Deverá ser alguém ocupado em acumular tesouros no céu e não na terra;

l.      Deverá ter o reino de Deus como prioridade;

m.   Deverá evitar julgar erradamente o próximo;

n.    E por aí vai...

4.    É como se Jesus houvesse declarado: "Esse é o caráter do reino que estou formando, e esta é a vida que eu quero que vocês vivam".

5.    Agora Jesus está chegando ao fim desse sermão e vai fazer algumas aplicações, sendo a primeira essa que temos diante de nós: "Entrai pela porta estreita...", ou: "Eu sei que essa porta que estou acabando de lhes apresentar é estreita, mas entrem por ela, porque é ela que conduz ao reino celestial, à vida eterna".

6.    Então pensemos apenas neste fato hoje: A vida cristã é representada e deve ser apresentada como sendo "estreita / apertada" desde o seu início até o seu fim.

7.    É muito importante destacar esse fato porque ele é imprescindível no momento em que formos evangelizar alguém. Desde o princípio a pessoa que está sendo evangelizada deve ser conscientizada dessa estreiteza; ninguém deve ser "enganado para entrar". Não devemos usar de artifícios fraudulentos. Não foi assim que Jesus agiu?

a.    Um escriba disse querer seguir a Jesus, e o que foi que Jesus lhe disse? – Veja Mateus 8.19-20...

8.    "O evangelho de Jesus Cristo anuncia abertamente, sem qualquer transigência e abrandamento, que a vida cristã é algo que começa por uma porta estreita e apertada e continua por um caminho apertado. Desde o próprio começo é absolutamente essencial que tomemos consciência disso" (Lloyd-Jones).

9.    Mas, por que? O que faz da vida cristã uma vida "apertada"?. Cito apenas três razões:

a.    A primeira razão é que tal vida, de verdade, só é possível através de uma, apenas uma pessoa: Jesus Cristo.

                                  i.    Ele é a porta das ovelhas... (João 10.7ss.)

                                ii.    Ele é o caminho... (João 14.6)

                               iii.    Ele, e só ele, tem as palavras de vida eterna... (João 6.68)

                               iv.    Ele é o único nome... (Atos 4.12)

                                v.    Ele, e somente ele! Não há portaS, não há caminhoS, não há nomeS; há porta, caminho e nome... no singular...

b.    A segunda razão pela qual a vida cristã é "estreita" é o fato de que para se vivê-la há coisas que deverão ser renunciadas, "deixadas do lado de fora", porque não podem passar junto conosco por essa porta estreita.

                                  i.        Devemos renunciar o mundanismo – A maneira de viver do mundo. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, dedica o capítulo 6 a informar-lhes que a graça não nos permite permanecer no pecado. No verso 19 ele lhes diz que no passado eles se apresentavam ao pecado para viver no pecado, mas agora deveriam se apresentar para servirem à justiça para santificação. E nos versos 21 a 23 ele pergunta que fruto colheram daquela vida que tinham antes e depois diz que uma vez libertos devem viver uma vida santificada. João escreveu: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.  Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.” (1 João 2:15-16 RC)

                                ii.        Sendo assim, muitas vezes até mesmo a companhia das pessoas com quem antes tínhamos certa comunhão precisam ser renunciadas; se não em todas, pelo menos em muitas ocasiões precisam ser renunciadas. (exemplo de quando fomos a uma excursão no Rio Grande do Sul...). Nunca falaram isso pra você? Não dá para participar com os seus amigos não convertidos de tudo o que eles fazem...

                               iii.        Devemos renunciar o "eu". O "eu" não passa na porta estreita – "Não mais eu, mas Cristo vive em mim", deve ser o nosso lema. E se assim o é/for:

1.    Seremos mansos...

2.    Amaremos... até aos inimigos...

3.    Pediremos perdão e perdoaremos, mesmo que para isso precisemos enterrar o nosso orgulho pessoal a setenta vezes sete palmos abaixo da terra...

4.    Não nos deixaremos vencer pelo mal, mas venceremos o mal com o bem...

5.    Seremos gentis e não ríspidos e mal educados no trato para com os nossos semelhantes...

6.    Trabalharemos muito na causa sem nenhum interesse de receber qualquer glória...

7.    E por aí vai...

c.    E a terceira razão para a vida cristã ser "estreita" é o fato de ela envolver lutas e sofrimentos...

                                  i.        A Bíblia fala de lutas e sofrimentos – aflições;

                                ii.        A experiência já demonstrou que há aflições, lutas e sofrimentos.

                               iii.        As próprias renúncias, muitas delas, implicam em aflições.

                               iv.        Estamos envolvidos em uma luta contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais.

10. Tudo isso desde o princípio até ao fim, neste mundo, da vida cristã, e desde o princípio as pessoas que vamos evangelizar devem estar conscientes disso.

11. Agora, talvez você esteja aí se perguntando: Se é assim, porque Jesus disse, e está registrado um pouco mais à frente, no capítulo 11, que seu jugo é suave e seu fardo é leve? Apenas três coisas quero dizer:

a.    Todas as lutas da vida cristã não as lutamos sozinhos – Jesus luta conosco e por nós.

b.    Paulo, depois de considerar suas lutas e sofrimentos, disse que "as aflições do tempo presente não podem se comparar com a glória que em nós há de ser revelada". Em outras palavras: tudo isso é muito leve diante da glória que aguarda aqueles que entram por esse caminho.

c.    O fim de ambos os caminhos é que revelará qual, na verdade, é mais "leve" e qual é mais "pesado".

12. Então, "entrem pela porta estreita" e "sigam pelo caminho estreito"...

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Muqui – Setembro de 2013

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Estudos no Sermão do Monte / parte 33 - A Regra de Ouro

 

A REGRA DE OURO

 

Estudo 33 de "Estudos no Sermão do Monte"

 

“Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.” (Mateus 7:12 RC)

 

            Apenas algumas observações precisamos fazer acerca desta que ficou sendo conhecida como a "regra áurea", ou a "regra de ouro:

 

            1) PRIMEIRA OBSERVAÇÃO: Era uma regra já existente e, certamente, bem conhecida dos judeus, uma vez que um de seus rabinos – Hilel – a havia proferido, em termos negativos (NÃO faça o que NÃO queres que lhe façam), cerca de 100 anos antes. Diz-se que um gentio, interessado na religião judaica, solicitou ao grande Sacerdote Shamai que se equilibrasse em uma perna e, no tempo que conseguisse ficar nessa posição, lhe ensinasse a substância da lei. Shamai, indignado, lhe virou as costas. Então o gentio fez o mesmo pedido a Hilel, e este, equilibrando-se em uma só perna, citou Tobite 4.15: "O que odeias, não faças a ninguém", e depois acrescentou: "O que te for odioso não faças a teu próximo. Isso resume a Torah inteira. Tudo o mais é interpretação".

 

            2) SEGUNDA OBSERVAÇÃO: Apesar de ser uma regra já existente, Jesus lhe dá novo sentido ao proferi-la de forma positiva, dizendo "faça o que queres que lhe façam". No sentido negativo a regra é passiva, mas nos sentido positivo ela torna-se ativa, o que demonstra que no Cristianismo não é simplesmente a abstinência de pecado e simplesmente a abstinência de más ações para com o próximo que interessam; antes, o que interessa e o que se ensina é a bondade positiva. Não se trata de simplesmente "NÃO fazer o mal", e sim de "fazer o bem".

            Algo semelhante temos em 1 Coríntios 13, o capítulo do amor. Duas das características do amor ali exposto são:

 

a) A paciência – na versão ARC lemos que "o amor é sofredor". O termo para "sofredor" é “makrothumeo”, que tem o sentido de ser demorado em enfurecer-se, paciente, longânimo, não abatido facilmente pelos insultos sofridos e que não busca vingança sobre aqueles que lhe injuriam (difamam, insultam, ofendem).

 

b) A benignidade – "o amor é benigno", isto é, age bondosamente.

 

            A paciência é, então, um aspecto do amor que refreia uma possível atitude má de nossa parte em retribuição a algo mal feito por alguém contra nós. Mas a benignidade vai além: ela nos leva a realizar feitos bondosos. É o amor em ação, que age bondosamente não apenas com os que lhe são favoráveis, mas também com os que lhe são contrários.

 

            A "Regra de Ouro", conforme proferida por Jesus, é positiva, e não negativa; é ativa e não passiva.

 

            3) TERCEIRA OBSERVAÇÃO: O termo "portanto" ou "pois" é tradução de uma partícula que significa "então, por esta razão...", constituindo-se em elo de ligação entre o que foi dito anteriormente e o que será dito imediatamente. Nas palavras de Champlim:

 

"Pois" se refere aos ensinos dos primeiros onze versículos, especialmente os ensinos referentes ao julgamento do próximo. Mas a atitude de Deus, ao dar a seus filhos aquilo que necessitam, ilustram a atitude que devemos assumir em relação aos nossos semelhantes. A atitude comum aos homens é fazer contra os outros as mesmas coisas que os outros lhes fazem, e essa atitude domina a vida da maior parte dos homens... [Mas] os discípulos do reino devem imitar a natureza de Deus, e não dos homens. A reciprocidade não transparece nos pensamentos de Jesus. A base deste ensino é o espírito de amor e misericórdia. O maior exemplo desse espírito foi dado por Deus. Os homens que se interessam pelos ensinos de Deus devem imitar a Deus nesse particular.

 

            4) QUARTA OBSERVAÇÃO: Minhas atitudes para com os outros não devem ser influenciadas "de lá para cá horizontalmente", isto é, não devem sofrer influência daquilo que o meu próximo faz comigo/por mim/em relação a mim; minhas atitudes para com os outros devem ser influenciadas "de lá para cá verticalmente", isto é, devo agir para com os outros conforme Deus age para comigo e/ou conforme Ele me orienta, em Sua Palavra, a agir. E como é que Ele orienta? Um exemplo que resume tudo temos aqui mesmo no Sermão da Montanha, em 5.38-48 – (Para um pouco mais de entendimento veja os estudos 20, 21 e 22 em www.prwalmir.blogspot.com.br)

 

            5) QUINTA OBSERVAÇÃO: Devemos continuar sempre fazendo o que queremos que os outros nos façam, mesmo que eles não correspondam à nossa ação. As reações negativas dos outros não nos dão "direito" de parar de observar esta "regra de ouro".

            Em Romanos 12.21 lemos: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem". **Vencer** e **vence** são traduções de uma mesma palavra do original deste texto, e tem o sentido de **conquistar**. Então, o servo de Deus deve ser o **conquistador** e não o **conquistado**, isto é, ele deve permanecer firme na sua fé até à morte diante do poder se seus inimigos, tentações e perseguições.

            Em o "Comentário Bíblico Popular" lemos alguns exemplos interessantes:

           

            Primeiro sobre não se deixar vencer do mal:

 

Darby explica a primeira parte desse versículo da seguinte forma: "se a má índole de outra pessoa o leva a reagir com maldade, você se deixou vencer do mal".

 

O eminente cientista George Washington Carver disse: "Jamais permitirei que outro homem estrague a minha vida fazendo-me odiá-lo". Como Cristão ele recusava-se a deixar-se vencer do mal.

 

            E, segundo, sobre Vencer o Mal com o Bem:

 

Edwin M. Staton (1814-1869), advogado e político Norte Americano, não escondia seu ódio de Abraham Lincoln. Afirmou que era tolice ir à África em busca de gorilas quando se podia encontrar um em Springfield, Illinois, cidade onde Lincoln morava na época. Lincoln não respondeu às provocações. Posteriormente nomeou Staton ministro da guerra, pois o considerou a pessoa mais qualificada para esse cargo. Depois do assassinato de Lincoln, Staton afirmou que o presidente havia sido o maior líder de todos os tempos. O bem havia vencido o mal.

 

            Repetindo a observação: Devemos continuar sempre fazendo o que queremos que os outros nos façam, mesmo que eles não correspondam à nossa ação. As reações negativas dos outros não nos dão "direito" de parar de observar esta "regra de ouro".

 

 

            Creio que estas observações nos bastam, então, paro por aqui deixando com vocês a responsabilidade de raciocinar mais, tendo em mente a orientação bíblica como um todo, acerca dessa palavra colocada por Jesus dessa forma.

 

 

Clamando sempre pela misericórdia do Senhor, para que nos ajude a viver como convém a filhos do Pai Celestial,

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

 

Muqui, Setembro de 2013

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PARA ESTAS CONSIDERAÇÕES:

 

BOL 3.0 Módulo Avançado (Strongs) – SBB

 

Comentário Bíblico Popular – Novo Testamento – William Macdonald – Mundo Cristão

 

Estudos no Sermão do Monte – Martyn Lloyd-Jones – Editora Fiel

 

O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo – R. N. Champlim – Candeia